Meus olhos fecham e abrem a todo instante; procuram um ponto fixo pra já não terem mais que vagar. Minha boca pede água, comida, sorrisos, palavras doces, comestíveis, mastigáveis, digestíveis, tudo que possa alimentá-la. Meus ouvidos apreciam o silêncio, gostam dos ruídos, do barulho ensurdecedor que traz o vazio. Meu nariz sente cheiro de tédio, de chuva, de cinza, tem alergia ao brilho do sol, ao pólem das flores e lhe agrada tanto o aroma dos dias passando quanto a mim me agradam os segundos. Minhas mãos encarregadas de sentir e apenas sentir, já não sabem onde vão e quem procuram; não sentem dor nem a leveza do vento. Estão aí, tão estáticas e catatônicas quanto eu tenho estado diante de todas aquelas coisas que eu ainda não sei.
06/10/2008
Assinar:
Comment Feed (RSS)
|