19/09/2008

Embalagem rosa - chóque (com rebites)

Me chamaram de nerd na escola porque quase gabaritei a prova de física. Não levei aquilo muito a sério. Quando cheguei em casa, me atirei no sofá e coloquei o headphone no ouvido. Até aí, o dia andava normal, a mesma vegetação de todos os dias. Mas, meu amável velho parou na minha frente e ficou me olhando. Vi ele fazendo uns gestos, meio irritado. Tirei o fone e instantaneamente ele disse, aos berros: - Eu criei uma rockeira revoltada! Não sei exatamente o que ele quis dizer com rockeira, eu nem sou tão assim não, não façam uma imagem errada de mim. Na hora não me importei. Pra falar a verdade, nem prestei muita atenção, como de costume. Depois, quando eu já tinha estourado meus tímpanos de forma considerável, é que fui parar pra pensar nas duas situações agradabilíssimas que eu havia passado em apenas meio dia. Vejam bem, eu fui chamada de duas coisas completamente diferentes, que simplesmente não se encaixam. Se eu for uma, não posso ser a outra. Quem disse isso? A sociedade e sua mania de rotular a todo segundo tudo que existe. Existem aquelas coisas que devem e merecem ser rotuladas, mas e as pessoas? Te dão um rótulo que muitas vezes não te agrada; talvez pela cor chamativa demais ou pelas informações que colocam na embalagem, que é o que acreditam saber sobre você. Além disso, ainda impõem características a cada rótulo e, se você possui um, não pode possuir outro; são coisas que simplesmente não podem e não devem se encaixar - pela lógica deles -. Porque pra todo mundo, um nerd jamais ouviria rock, usaria um headphone e colocaria os pés em cima do sofá. O pobre do nerd tem que ser um robô. Todos os movimentos cuidadosamente calculados. Enquanto isso, um rockeiro, na concepção dos rótulos, não poderia ser quase um gênio da física simplesmente por ser rockeiro! Alguém me explica então, como eu poderia ser os dois? Ah claro, são pessoas diferentes e opiniões diferentes em questão. Queria eu parecer um gênio da física pro meu pai, creio que as coisas seriam bem mais fáceis assim. Mas a questão é que, julgar de acordo com o gosto musical dos outros ou da inteligência pode não dar certo, e na maioria das vezes não dá, pois nem todos se encaixam perfeitamente em alguma embalagem. Pessoas, não são mercadorias; e rótulos não servem pra nada. Tudo superficial.